Era uma vez... em Omaha, a maior cidade do Nebraska, um garoto chamado Conor Mullen Oberst. Ele não teve nenhum irmão que morreu afogado na banheira, ou cinco, como diz na célebre entrevista falsa do disco Fevers & Mirrors, mas tem muitas outras histórias para contar.
Irmãozinho mais novo entre os três filhos de Matthew e Nancy, ele nasceu em 15 de fevereiro de 1980. Seu pai, o gerente de uma companhia de seguros e guitarrista nas horas livres foi talvez a primeira influência musical do garoto. E o fato de nascer na mesma cidade de Elliot Smith deve dizer alguma coisa. Sua mãe, diretora de uma escola primária, lembra de Conor aos dois anos de idade ensaiando os primeiros passos na direção da música, ou ao menos, na tentativa dela, ao brincar com o piano da família.
Mas foi Matt, o irmão do meio, (e hoje guitarrista do Sorry About Dresden) o responsável por apresentar bandas como The Cure e Replacements ao garoto de oito anos. Aos 10 anos, Conor resolveu que não queria saber de piano e sim de tocar guitarra, como seu irmão. Reza a lenda que ao aprender dois acordes, passou a compor.
Tudo estaria perfeito não fosse a escola católica absurdamente rígida. Como seus únicos
interesses eram música e literatura, ele conseguia se manter mais ou menos invisível, mas nem por isto odiava menos o local: "A escola definitivamente me influenciou em várias maneiras. Isso ainda me deixa frustrado. Educação católica é algo realmente fodido. Uma vez que você se faz parte disso é realmente difícil ser o mesmo, ou normal, quando consegue se livrar. Acho que muito de meu comportamento mental incompleto se deve a estas coisas que ficaram enraizadas em mim e me estragaram."
Se a escola dava materiais suficientes para suas composições, então estava na hora de apresentá-las a alguém. Aos 12 anos, seu primeiro palco. Ao mostrar menos de meia dúzia de canções para Ted Stevens, o guitarrista do Cursive não teve dúvidas e chamou Conor para o show que aconteceria naquela noite. Detalhe: Conor acompanharia a banda na canção de encerramento.
Ao descer do palco recebeu o convite para voltar na próxima semana. A esta altura dos acontecimentos, Oberst tinha material suficiente para um set inteiro. Graças à Matt, amigo de boa parte da cena musical da cidade, Conor passou a tocar nos clubes de Omaha, mesmo sendo menor de idade.
Além dos shows, passou a se concentrar nas histórias de seus dois melhores amigos: Ian, seu primo, que viria a participar da banda Desaparecidos e Neely Jenkins, sua vizinha, que anos depois participaria das bandas Park Ave e Tilly And The Wall. Foi ela a primeira namoradinha de Conor. Apesar do fim do namoro, os dois continuaram amigos. Neely participou de canções como 'Contrast and Compare' e 'Pull My Hair', do disco 'Letting Off the Happiness', e 'Feb. 15th', de 'A Collection of Songs...'
Em 1993, com material pronto e financiamento de Justin, seu irmão mais velho, Conor lançava sua primeira fita k7, Water, que foi vendida para amigos e familiares. Conor e Justin passaram a dizer que a fita havia sido lançada pelo selo imaginário Lumberjack Records. Imaginário por muito pouco tempo, logo tornou-se real e mais tarde mudou seu nome para Saddle Creek.
Seis meses depois, no início de 94, lançou sua segunda fita, Here's a Special Treatment, através do selo Sing, Eunuchs!, também de Omaha. As duas primeiras fitas foram gravadas no sótão da família Oberst, onde o violão acompanhava uma voz infantil porém não menos angustiada. Tudo captado por um gravador de baixa qualidade.
Ainda em 94, Conor tentou montar sua primeira banda, chamada Norman Bailer, que mais tarde se tornaria The Faint. Mas não durou por muito tempo. De acordo com Conor, ele foi chutado. Mas Todd Fink, um dos membros da banda, disse em entrevista que "ele sempre foi um bom compositor, mas só isso não servia. Ele era realmente negligente e gritaria cada vez que tentássemos sentar e tocar músicas harmoniosas."
No ano seguinte formou sua primeira banda 'séria', Commander Venus, que trazia Tim Kasher (do Cursive) no baixo, Rob Nansel na guitarra e Todd Fink (The Faint) na bateria. Considerada por alguns críticos como uma das bandas seminais do que viria a se estabelecer mais tarde como emo. Em 95, gravaram 'Do You Feel At Home?', disco muito comparado com os trabalhos de Pixies e Suny Day Real Estate.
Em 96, Conor volta ao trabalhos solo com Soundtrack to My Movie, mais experimental que as duas primeiras e com efeitos precários, a fita k7 foi lançada pelo Sing, Eunuchs!. Em 97, o segundo e último disco com a banda Commander Venus que encerrou suas atividades em 98, quando começava a receber maior atenção por parte da mídia.
Foi em 98 que Conor deu início ao seu projeto Bright Eyes. Como já compunha desde os 12 anos, material não faltou, mais uma vez. O primeiro disco A Collection of Songs Written and Recorded 1995-1997 é auto-explicativo e foi lançado no comecinho daquele ano. Composto de 20 canções, o disco não foi muito bem recebido por sua baixa qualidade de gravação (ainda no sótão da família, ainda com o gravador de quatro canais). Conor dedicou o álbum à seus pais.
(continua...)
Entre as informações que circulam sobre Qa'nir ou C-Note, como é chamado pelos amigos ( e não me pergunte o porquê de tais apelidos), estão futilidades necessárias para qualquer fã, como por exemplo: Ele mede 1.75 m (5' 9") é vegetariano (mas come peixe) e descende de família irlandesa. Aos dois anos quebrou uma perna e usou óculos durante a infância. Na adolescência trabalhou como zelador da Universidade de Omaha junto com o primo Ian. Nessa mesma época os dois montaram um grupo de rap chamado Team Rigge.
Saiba também que:
Conor sempre se posicionou contra o governo Bush.
Tem seu próprio selo, Team Love, e distribui artistas como Mars Black, Tilly and the Wall e Willy Mason.
Em 2003, entrou para a Cool List na posição 25.
Mudou-se para Nova Iorque, onde morou no West Village mas continuou viajando para Omaha, onde tem sua casa. Como odeia aviões muitas vezes o troca por um ônibus que leva 22 horas entre uma parte e outra do país.
"Meu vegetarianismo começou porque eu não gostava de mastigar carne. Me sentia desconfortável, então parei. Quando você vê as formas que o homem manipula as outras criaturas do mundo...é arrogante e triste."








